Mensagem Aos Amigos


A música é uma flor que se abre aos poucos, que deixa seu perfume pelo ar e contagia todos ao seu redor. Uma pessoa que tem a música dentro do coração, que realmente entende o poder da música dentro de nós, sente os momentos da vida com mais intensidade e energia, cada momento tem uma banda sonora e o coração dela VIBRA a cada pequeno momento!
Amigos, tenham a música dentro do coração, sintam essa vibração!
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segunda-feira, 26 de março de 2012

O Pequeno Príncipe e a Raposa



E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incómodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços…"
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela uma amiga. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele…
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

Diálogo entre o Principezinho e a raposa, capítulo XXI de "O Pequeno Príncipe",  Antoine de Saint-Exupéry.

6 comentários:

  1. Mana nunca li a história do pequeno principie, mas fiquei com vontade de ir ler o livro :D
    Grande moral, realmente hoje em dia ninguém têm "tempo" para perder a cativar os outros.
    Beijinhos

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    Respostas
    1. É um dos meus livros preferidos. Parece um livro infantil porque tem muita fantasia, coisas fora do comum e imagens muito simples e ingénuas. Mas é muito profundo, como se pode ver por este capítulo. Eu também acho que este é o capítulo mais bonito, já o li tantas vezes que quase o sei de cor.
      Mana, talvez encontres na net. O autor creio que era francês, era aviador e despenhou-se e morreu no acidente.
      Pode-se dizer que o livro é "cativante" kkkkkkk
      Bjinhos

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  2. Gostei do segredo da raposa ;)
    Nunca li isto em livro nenhum, faz-me lembrar algo ...
    Muito bonito, Gata, fico a espera do proximo episodio ;)

    Bjs

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    Respostas
    1. Gostaste? Só se leres "O Pequeno Príncipe" é que lês isto kkkk. O que é que te faz lembrar? rsrsss
      Já te tinha falado deste livro, acho eu, a não ser que esteja a fazer confusão, sei lá. Mas este episódio é o meu preferido porque aquela raposa sou eu na outra encarnação rsrsss Ela pensa exactamente igual ao que eu penso.
      Mas olha que eu não vou escrever mais capítulos kkkk A história da raposa acaba aí, noutros capítulos ele encontra outros personagens e também faz desenhos: por ex, desenha uma coisa que parece um chapéu mas afinal é uma cobra que comeu um elefante, ele fica dentro dela em pé, e ela com um pedaço de pescoço para um lado e de rabo para o outro, parece um chapéu kkkkkkkk
      Bisous

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  3. O Pequeno Prícipe é um livro meigo e inocente, mas capaz de nos trazer enormes lições.
    Creio que de todas as liçoes que ele nos apresenta, você conseguiu extrair a mais importante de todas:
    A verdadeira face da vida não é a que podemos ver e tocar, mas aquela que vai em cada um dos nossos corações.
    BJOS

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    Respostas
    1. Olá, Lena. Sim, tal como disse à Laidy, o livro parece até infantil, mas na realidade ele é para adultos porque é muito profundo e este episódio não sei se é o mais importante, mas pelo menos para mim é o que gosto mais. Eu sempre me identifiquei com aquela raposa.
      Beijinhos

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